Projeto transforma antigas cabines de telefone público em pontos de apoio para trabalhadores que passam o dia nas ruas. Iniciativa prevê expansão em Minas Gerais.
Os tradicionais orelhões, que por décadas fizeram parte da paisagem das cidades brasileiras, estão ganhando uma nova utilidade em Belo Horizonte. Dois anos após a desativação do último telefone público da capital mineira, estruturas inspiradas nas antigas cabines estão sendo adaptadas para oferecer água gelada e acesso gratuito a micro-ondas.
A iniciativa é idealizada pelo empreendedor André Souza e tem como objetivo oferecer suporte a trabalhadores que passam grande parte do dia nas ruas, especialmente entregadores, motoristas e profissionais que dependem da circulação pela cidade para exercer suas atividades.
A proposta é reaproveitar o formato característico dos antigos telefones públicos, transformando os equipamentos em pontos de apoio com serviços básicos. A novidade combina a memória urbana com uma solução voltada às necessidades cotidianas de quem trabalha fora de casa.
Água gelada e micro-ondas gratuitos
As novas estruturas foram projetadas para disponibilizar água refrigerada e permitir que os trabalhadores aqueçam suas refeições gratuitamente.
De acordo com o idealizador, o sistema de refrigeração tem capacidade para fornecer mais de 15 litros de água gelada por hora, com temperatura entre 10 °C e 14 °C.
O micro-ondas, fabricado em aço inoxidável e sem prato giratório, foi desenvolvido para suportar uma utilização estimada em até 200 vezes por dia.
A iniciativa busca oferecer mais conforto e praticidade aos profissionais que, muitas vezes, precisam fazer pausas rápidas durante a jornada de trabalho e não dispõem de locais adequados para se alimentar ou se hidratar.
Projeto começa no Barreiro
O projeto-piloto será instalado no Posto Rede Beija-Flor, localizado na Avenida do Cabral, número 299, no bairro Átila de Paiva, na região do Barreiro, em Belo Horizonte.
A expectativa é que a iniciativa avance gradualmente, com a instalação de novas unidades em pontos estratégicos da capital, como postos de combustíveis com funcionamento 24 horas, cozinhas de delivery, estacionamentos de atacarejos, universidades e grandes hospitais públicos.
Segundo André Souza, a previsão é instalar entre 60 e 80 equipamentos em Belo Horizonte nos próximos seis meses.
Expansão para Minas Gerais
O projeto também prevê ampliar a iniciativa para outras regiões do estado. A projeção apresentada pelo idealizador é alcançar 400 unidades em Minas Gerais, sendo aproximadamente 120 em Belo Horizonte.
Para viabilizar a proposta, foi necessário adaptar a estrutura original dos orelhões, criada pela arquiteta Chu Ming Silveira em 1971.
O modelo tradicional, fabricado em fibra de vidro, foi substituído por materiais mais leves e resistentes à radiação ultravioleta, com acabamento em pintura automotiva.
O desenvolvimento do projeto levou cerca de 18 meses de pesquisa e aprimoramento.
Reaproveitamento de um símbolo urbano
Além de oferecer serviços gratuitos, a iniciativa resgata um elemento que marcou a história das cidades brasileiras. Os orelhões, que já foram essenciais para a comunicação da população, passaram a perder espaço com a popularização dos telefones celulares.
Agora, a proposta é dar uma nova função a essas estruturas, aproveitando seu formato reconhecível para criar pontos de apoio à população.
A iniciativa busca unir inovação, reaproveitamento urbano e serviços de utilidade pública, com foco nas necessidades de trabalhadores que permanecem longos períodos nas ruas.
Fonte: informações divulgadas pelo Metrópoles Minas.

