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Betim instaura procedimento para investigar denúncia de poluição no Rio Betim

A Prefeitura de Betim instaurou um procedimento interno para investigar as denúncias de possível poluição industrial no Rio Betim, após receber um laudo técnico encaminhado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH Paraopeba). O documento aponta indícios de contaminação por resíduos industriais e indica que um efluente gerado por uma empresa do setor químico, instalada no bairro Decamão, teria apresentado concentração de substâncias responsáveis pela formação de espuma 284 vezes acima do limite permitido pela legislação, além de alta toxicidade.

Segundo o CBH Paraopeba, o laudo foi enviado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semmad) para subsidiar as investigações e identificar possíveis responsáveis. O estudo também relaciona os resultados encontrados à espuma registrada ao menos três vezes nos rios Betim e Paraopeba neste ano.

O primeiro episódio ocorreu em 30 de maio, quando moradores registraram grandes volumes de espuma na região da tríplice divisa entre Betim, Juatuba e São Joaquim de Bicas. Nove dias depois, em 8 de junho, uma equipe do CBH Paraopeba encontrou novamente o material em outro trecho do rio, na altura do bairro Aroeiras, próximo à BR–262. A última ocorrência foi registrada em 12 de junho, na foz do Rio Betim, ponto onde o afluente deságua no Rio Paraopeba, na divisa entre Betim e Juatuba.

O estudo foi elaborado pelo Centro de Inovação e Tecnologia do Senai Minas Gerais (CIT Senai), contratado pela Agência de Bacia Hidrográfica Peixe Vivo, entidade responsável pelo suporte técnico e financeiro aos comitês de bacia. A análise considerou amostras da água do Rio Betim e de efluentes industriais — nome dado aos resíduos líquidos descartados por processos industriais — coletadas em junho pelo comitê para tentar identificar a origem da possível contaminação.

Conforme o CBH Paraopeba, o envio do laudo tem como objetivo apoiar as investigações e contribuir para a adoção de medidas administrativas, civis e penais, caso sejam confirmados danos ambientais.

“A situação preocupa porque o Rio Betim deságua no Rio Paraopeba, que integra a bacia do Rio São Francisco, uma das mais importantes do país. Caso a contaminação seja confirmada, os impactos poderiam atingir a biodiversidade, o abastecimento de água e outros usos dos recursos hídricos ao longo da bacia”, declarou o comitê.

Prefeitura abre investigação

A Prefeitura de Betim informou que recebeu o laudo técnico do CBH Paraopeba e que, após a análise inicial do documento, a Secretaria de Meio Ambiente instaurou procedimento interno para investigar as informações apresentadas e as empresas citadas no relatório.

Em nota, o Executivo afirmou que, caso sejam confirmadas as irregularidades apontadas no estudo, a Semmad aplicará as sanções previstas na legislação, que podem incluir desde multas até o embargo total das atividades das empresas envolvidas.

A administração municipal informou ainda que encaminhará aos órgãos competentes o resultado da apuração para que sejam adotadas as medidas de responsabilização nas esferas civil e criminal. O Ministério Público informou que recebeu a denúncia e que a promotoria responsável fará a análise do caso.

Testes apontam mortes em até 24 horas

Os pesquisadores compararam amostras coletadas em dois trechos do Rio Betim com outras retiradas de quatro pontos de lançamento de efluentes industriais. Um dos resíduos analisados apresentou, segundo o laudo, 567,94 miligramas por litro (mg/L) de surfactantes, enquanto o limite estabelecido pela legislação estadual é de 2 mg/L.

Os surfactantes são substâncias encontradas em produtos como detergentes, sabões e materiais de limpeza. Elas reduzem a tensão da água e favorecem a formação de espuma. Em concentrações elevadas, podem comprometer a qualidade da água e prejudicar organismos aquáticos.

O documento aponta ainda que esse mesmo efluente apresentou pH de 13,04, considerado extremamente alcalino. Na prática, segundo o laudo, o resíduo teria características semelhantes às de produtos de limpeza de alta concentração, com potencial de causar danos aos organismos presentes no ambiente aquático.

O estudo também identificou concentração de 2.563 mg/L de sódio no efluente analisado, enquanto a água do trecho avaliado do Rio Betim costuma apresentar valores entre 34 e 36 mg/L.

Os testes de ecotoxicidade foram outro ponto de atenção. Conforme o laudo, mesmo após diluição para 0,2%, o efluente teria provocado a morte de todos os organismos utilizados nos ensaios em até 24 horas. Esse tipo de teste avalia o potencial de uma substância causar impactos sobre seres vivos em ambientes aquáticos.

Ainda de acordo com o estudo, em um trecho onde houve registro de espuma, a água deixou de ser classificada como não tóxica antes do ponto de lançamento dos efluentes e passou a apresentar toxicidade crônica após esse ponto. Isso significa que, mesmo sem causar morte imediata, a exposição poderia provocar danos aos organismos.

Outra alteração identificada foi a redução de 83% da clorofila, pigmento presente em algas microscópicas responsáveis pela produção de alimento no ambiente aquático, além de uma queda de 84% no zooplâncton, conjunto de pequenos organismos que serve de alimento para peixes e outras espécies.

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